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O debate sobre desperdício de alimentos na COP30 pode reduzir emissões, proteger o planeta e fortalecer a segurança alimentar

Por Bárbara Marra *

O mundo está se preparando para a COP30 – a conferência do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) que reúne líderes globais anualmente para definir questões cruciais para amenizar a crise climática. Neste ano, ela acontece em Belém do Pará, no Brasil, o que traz a atenção do mundo para a Amazônia. Mas há uma questão urgente para a mitigação da crise climática sendo negligenciada: o desperdício de alimentos.

Quando olhamos para os causadores da crise, é fácil pensar em setores como transporte, energia, indústria ou agropecuária. Mas esse vilão menos visível merece atenção, afinal, representa uma falha sistêmica: alimentos produzidos, transportados, armazenados e descartados sem que seu potencial de matar a fome seja utilizado.

Um problema invisível

Quando jogamos um alimento fora, ele desaparece do nosso prato, mas continua existindo na natureza. Segundo a UNEP, a perda e o desperdício de alimentos respondem por 8 a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Em outras palavras, se o desperdício alimentar fosse um país, ele seria um dos maiores poluidores do mundo. 

Além disso, cada refeição que vai para o lixo representa não apenas comida perdida – mas também a terra, água, energia e o trabalho dedicados à produção dela. Estima-se que um bilhão de refeições são descartadas por dia a cada ano, o que tem um grande impacto no meio ambiente. 

Por que levar à COP30

1. Tema estratégico para a agenda climática

Quando políticas climáticas são formuladas, muitas vezes grandes emissores relacionados aos transportes, energia, agropecuária ou indústria recebem atenção, mas o setor de alimentos costuma ficar em segundo plano. No entanto, há dados que mostram que o evitar o desperdício é uma rota eficaz para amenizar a crise, já que focar em reduzi-lo diminuiria as emissões de GEE e a poluição do solo, água e ar decorrente da decomposição da matéria orgânica proveniente da comida.

2. Justiça ambiental e segurança alimentar

Enquanto toneladas de alimentos são jogadas fora, milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar em todo o mundo. O desperdício, além de gerar emissões, também é uma perda de oportunidade de melhor utilizar os alimentos para consumo humano. Isso conecta diretamente a agenda climática com a agenda de desenvolvimento sustentável e transição dos sistemas alimentares.

3. Vantagens econômicas

Na COP30, cabe lembrar aos países que aplicar políticas de redução de desperdício de alimentos não é apenas bom para o meio ambiente – é inteligente economicamente. Segundo a UNEP, o problema custa cerca de US$ 1 trilhão por ano.

O que precisa acontecer para que esse tema esteja na COP30

Para que o desperdício de alimentos seja efetivamente debatido dentro da COP30, é preciso que ações concretas voltadas para seu combate sejam pautadas, como a inclusão explícita da redução de perdas e desperdícios alimentares em planos nacionais de adaptação e mitigação nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDS) – os compromissos firmados pelos países para atingir as metas definidas;

Algumas ações possíveis para alcançar essas metas que podem ser incluídas nos planos são:

  • Investimento em infraestrutura de armazenamento, transporte, refrigeração e logística para evitar perdas na cadeia de alimentos;
  • Campanhas de sensibilização que conectem o consumo individual ao impacto climático [Conheça nossa campanha nacional contra o desperdício];
  • Parcerias público-privadas para inovação e funcionamento de cadeias alimentares mais eficientes [Conheça o projeto Ceasa Desperdício Zero];
  • Monitoramento e reporte transparente de dados sobre perdas e desperdícios alimentares, pois sem dados confiáveis, não há como medir avanços.

A COP30 oferece às nações uma grande oportunidade de elevar essa questão ao patamar que merece e transformar o combate às perdas e ao desperdício de alimentos em uma ação climática concreta e uma missão compartilhada entre diversos países.

Bárbara Marra – Jornalista pela UFOP e analista de comunicação no Pacto Contra a Fome.

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