Tecnologias digitais de conectividade como estratégia essencial aumentam a produtividade no campo e promovem segurança alimentar global
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apresentou em seu relatório “The Impact of Disasters on Agriculture and Food Security 2025 – Digital solutions for reducing risks and impacts” dados contundentes sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura de conectividade para fortalecer a segurança alimentar mundial.
Enquanto alguns países enfrentam sérias dificuldades em implementar tecnologias devido a falta de estrutura de cobertura de rede de dados, o Brasil está conseguindo avançar com bom ritmo neste quesito. Ricardo Amaral, executivo da Hughes do Brasil, destaca que há ainda um bom espaço para crescimento, mas não podemos deixar de contemplar o que já foi conquistado: segundo dados da ConectarAgro, a área de cobertura passou de 18% para 33% em um curto espaço de tempo.
Essa evolução viabiliza a adoção de muita tecnologia que reduz os custos, aumenta a produtividade e caminha para promover a segurança alimentar.

Tecnologia digital reduz riscos na produção agrícola
Segundo o documento da FAO, desastres naturais causaram perdas agrícolas de US$ 3,26 trilhões ao longo de 33 anos. A conectividade digital surge como ferramenta estratégica para transformar essa realidade, permitindo o uso de tecnologias que revolucionam a gestão de riscos na agricultura.
Entre as principais aplicações estão o monitoramento em tempo real de safras, pragas e condições climáticas, sistemas de alerta precoce para secas, inundações e doenças, além de acesso a seguros paramétricos e serviços financeiros digitais. Plataformas de extensão rural digital como SoilFER, WaPOR e IREY já demonstram resultados expressivos em diferentes países.
A FAO destaca em seu relatório que cada US$ 1 investido em ação antecipatória pode gerar até US$ 7 em benefícios, evitando perdas agrícolas significativas.
Desafio da inclusão digital no campo
O relatório revela que 2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem offline globalmente. Desse contingente, 38% estão em áreas com cobertura de rede, mas não conseguem acessar a internet. Para conectar zonas rurais e agrícolas, são necessários investimentos expressivos em expansão de redes de banda larga móvel e satelital, energia sustentável para alimentar infraestrutura digital, dispositivos acessíveis como smartphones e sensores IoT, além de capacitação digital para agricultores.
Embora o documento não apresente um valor global exato para os investimentos necessários, a FAO ressalta que o retorno supera amplamente os custos, considerando o montante trilionário de perdas agrícolas registradas.
Brasil avança com soluções satelitais e parcerias estratégicas
O Brasil tem demonstrado avanços significativos na conectividade rural através de parcerias que levam internet a áreas remotas via satélite. A Hughes do Brasil, subsidiária da Hughes Network Systems, destaca-se nesse cenário ao apresentar soluções de IoT via satélite.
Ricardo Amaral explica que a solução de conectividade via satélite usa tecnologia de IoT para monitorar em tempo real equipamentos, sensores e processos operacionais, mesmo em locais sem infraestrutura terrestre.
“A tecnologia satelital transforma a irrigação em um processo inteligente e sustentável, otimizando o uso dos recursos hídricos e reduzindo o desperdício”, afirma Amaral.
A empresa oferece a solução como um serviço gerido de ponta a ponta, com projetos personalizados, incluindo instalação, suporte técnico especializado e monitorização remota segura. Em projeto-piloto realizado em parceria com a Soil Tecnologia e a Irrigabras, produtores usaram a solução da Hughes para controlar pivôs de irrigação em uma propriedade de 60 hectares em Itatiba (SP), demonstrando o potencial da tecnologia.
Segundo o executivo, as extensões das propriedades rurais no país demandam o uso de estruturas de redes conectadas que permitam, por exemplo, mapear as condições de clima e de solo para a definição do melhor uso de recursos na produção:
“Imagine uma fazenda com 150 km de extensão, que necessita de sistemas de irrigação. O produtor rural precisa saber exatamente a quantidade de água que pode usar em cada pedaço de terra, cumprindo com a legislação que limita o consumo de água previsto pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Somente com uma rede de conexão de dados e sensores acoplados ao sistema de irrigação isso é possível, reduzindo os riscos para os produtores”.
Ricardo ainda destaca que hoje existem diversas opções de estruturas de redes privativas de conexão e dados, desenhadas a partir de projetos, estrutura de integração e realização da obra, que viabilizam o retorno do investimento. Um dos pontos positivos nesta conta do retorno do investimento é a capacidade de realizar manutenções preditivas, reduzindo ou ainda eliminando paradas técnicas que podem comprometer safras inteiras e a sustentabilidade econômica.
Hughes expande atuação para Extremo Oeste Baiano
Um dos exemplos do benefício da cobertura de redes, está na parceria entre Hughes do Brasil e Soil Tecnologia que pretende levar conectividade e automação a todos os cantos do país, com foco inicial no Extremo Oeste Baiano. A região se tornou o principal polo de irrigação do País no ano passado, respondendo por quase 10% do total de pivôs instalados no Brasil.
Dados da ANA mostram que o Brasil possui atualmente uma área de 2,2 milhões de hectares irrigados por quase 34 mil pivôs centrais. Em todo o Brasil, o percentual de pivôs de irrigação que estão offline chega a 90%.
Hughes e Soil estimam que grande parte dos equipamentos de irrigação agrícola operam sem conectividade plena em municípios baianos como Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Barreiras. Por meio de uma combinação de terminais de satélite avançados, a Hughes espera viabilizar a conectividade desses equipamentos no Extremo Oeste da Bahia e em regiões remotas do País.
A ausência de automação condiciona os proprietários, por exemplo, a percorrerem grandes distâncias para operar os sistemas de irrigação. Se um pivô para de funcionar por um pico de energia, entupimento da bomba d’água ou atolamento das rodas, o problema é quase sempre identificado tardiamente, causando perdas na safra e desperdício de água e energia.
Igor Mendes, sócio fundador da Soil Tecnologia, reforça que a conectividade transforma radicalmente a forma como se lida com a irrigação.
“Com ela, o produtor pode fazer o uso da telemetria e ganha agilidade, reduz desperdícios e toma decisões com base em dados precisos, mesmo à distância. Isso significa mais produtividade, economia e sustentabilidade no campo”, conta Mendes.
Pequenos e médios produtores ganham competitividade
Para pequenos e médios produtores rurais, a conectividade digital representa acesso a informações fundamentais como preços de mercado, previsão do tempo e práticas sustentáveis. O financiamento e seguro rural digital, disponibilizados via mobile money e plataformas como Pula Insurance, democratizam serviços antes inacessíveis a esse público.
O fortalecimento da resiliência através de alertas antecipados permite evitar perdas significativas. No Sri Lanka, a plataforma SEED Hub aumentou a produtividade do arroz em 26% e as vendas em 48%, demonstrando o potencial transformador dessas tecnologias.
A Pula Insurance já protegeu 9,1 milhões de agricultores, com indenizações pagas em período de 5 a 7 semanas, segundo dados do relatório da FAO.
Agricultura de precisão para grandes produtores
Grandes produtores se beneficiam de tecnologias avançadas de agricultura de precisão, incluindo drones, sensores de solo e clima. A gestão de irrigação através de aplicativos permite monitorar o manejo pela tela do celular, demonstrando capacidade de reduzir significativamente o uso de água.
Aliado à conectividade via satélite, aplicativos permitem ao proprietário gerar relatórios detalhados sobre o desempenho de cada pivô com dados sobre consumo de água, energia e área irrigada. É possível ainda definir e monitorar, em tempo real, detalhes sobre a lâmina de irrigação, ou seja, a quantidade de água a ser irrigada para suprir as necessidades de cada cultura. Se algum equipamento desliga por alguma razão inesperada, uma notificação aparece imediatamente na tela do celular.
Logística e rastreabilidade com blockchain para cadeias de suprimento, aliadas à análise preditiva com inteligência artificial para prever safras e otimizar colheitas, representam diferenciais competitivos importantes. O sistema FAMEWS, de alerta para a praga lagarta-do-cartucho, já foi implementado em 60 países.
Hughes atua como integradora em setores estratégicos
A solução de IoT via satélite da Hughes tem potencial para outros setores estratégicos além da agricultura. Na mineração, a tecnologia viabiliza o monitoramento remoto de tratores, caminhões e sensores, oferecendo visibilidade operacional em tempo real em áreas de difícil acesso.
No setor de óleo e gás, a solução é aplicada para acompanhar a pressão em dutos e prevenir vazamentos, ampliando a segurança e a eficiência das operações. Já na logística, a solução pode ser integrada a sistemas instalados em trilhos ferroviários, permitindo a detecção antecipada de riscos de acidentes com vários quilômetros de antecedência.
Ricardo Amaral destaca a atuação da empresa como integradora de soluções.
“Hughes é uma integradora de soluções para o campo. Vamos além da conectividade, entregamos inteligência operacional, controle e eficiência para transformar setores como o agronegócio”, afirma o executivo.
Em iniciativas voltadas à inclusão energética, a Hughes do Brasil também atua como integradora de soluções em regiões ribeirinhas do Norte do país. Nessas localidades, onde muitas casas flutuantes se deslocam com a correnteza dos rios, a empresa fez parcerias para instalar painéis solares conectados via IoT por satélite. A solução permite o monitoramento remoto da geração e do consumo de energia, proporcionando mais segurança, controle e qualidade de vida para essas comunidades isoladas.
Retorno sobre investimento comprova viabilidade
Estudos apontam que tecnologias digitais podem aumentar a produtividade agrícola em até 30%. A redução de perdas com desastres pode alcançar até 7 vezes o valor investido em ações antecipadas, enquanto o seguro rural digital gera até 16% mais investimento na propriedade.
A plataforma WaPOR da FAO monitora produtividade da água, enquanto o SoilFER indica culturas ideais por tipo de solo. O FAMEWS auxilia no controle de pragas e o RVF-DST apoia a gestão de doenças em rebanhos.
O Oeste Baiano registrou um crescimento acumulado de 40% nos últimos dois anos, uma média de 20% ao ano, quase três vezes a média nacional. A região, com seus 330 mil hectares irrigados e mais de 2.800 pivôs centrais, consolida-se como o principal vetor de expansão da irrigação no país.
Inteligência artificial revoluciona decisões no campo
A previsão de safras através de modelos de machine learning permite antever rendimentos meses antes da colheita. Decisões de plantio e colheita baseadas em clima, solo e mercado otimizam resultados, enquanto o uso racional de insumos pode reduzir defensivos e fertilizantes em até 50%, como demonstrado em Burkina Faso com advisoria agrometeorológica.
Plataformas de comercialização inteligente como o FPMA da FAO monitoram preços globais, permitindo melhores estratégias de venda.
Sustentabilidade e resiliência climática
O impacto ambiental positivo inclui redução do uso de água, energia e químicos, além de preservação do solo e biodiversidade. A agricultura digital fortalece a resiliência às mudanças climáticas, criando sistemas produtivos mais sustentáveis.
Ricardo Amaral conclui sobre a estratégia da empresa no mercado brasileiro.
“A Hughes aposta no Brasil como uma integradora de soluções que unem conectividade robusta, automação e escalabilidade. Nosso objetivo é acelerar a transformação digital em setores estratégicos, levando tecnologia a quem mais precisa”, finaliza o executivo.
O relatório da FAO conclui que investir em infraestrutura digital rural não é mais opcional, mas estratégico para a segurança alimentar. O Brasil, como potência agrícola, tem posição privilegiada para liderar essa transição, integrando grandes e pequenos produtores em uma agricultura 4.0 sustentável e resiliente.
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