The Impact of Disasters on Agriculture and Food Security 2025 Digital solutions for reducing risks and impacts

Soluções digitais surgem como ferramenta essencial para reduzir riscos e construir resiliência na agricultura e nos sistemas alimentares

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) traça um panorama alarmante dos impactos de desastres na agricultura global, ao mesmo tempo em que aponta a transformação digital como um caminho promissor para a resiliência.

A publicação “The Impact of Disasters on Agriculture and Food Security 2025” calculou perdas de US$ 3,26 trilhões entre 1991 e 2023, uma média de US$ 99 bilhões anuais.

O pesado custo dos desastres para a produção de alimentos

Os danos vão muito além das perdas econômicas. O estudo quantifica a destruição de bilhões de toneladas de alimentos essenciais: 4,6 bilhões de toneladas de cereais, 2,8 bilhões de toneladas de frutas e vegetais e 900 milhões de toneladas de carnes e laticínios foram perdidos nesse período.

Essa interrupção na produção se traduz em um impacto nutricional direto para a população global.

As perdas na produção resultantes de desastres correspondem a uma disponibilidade reduzida de 320 kcal por pessoa por dia globalmente.

O relatório também destaca que os impactos são distribuídos de forma desigual. Enquanto a Ásia concentra quase metade (47%) das perdas absolutas (US$ 1,53 trilhão), o peso relativo é mais devastador para a África.

A África é estimada para suportar o fardo relativo mais alto, com 7,4% do produto interno bruto agrícola (PIB), apesar de perdas absolutas mais baixas.

Setores invisíveis e a vulnerabilidade dos mais pobres

A pesca e a aquicultura, setores vitais para a segurança alimentar de milhões, são frequentemente negligenciados nas avaliações de desastres.

A aquicultura e a pesca permanecem amplamente invisíveis nas avaliações de desastres, apesar de fornecerem meios de subsistência para 500 milhões de pessoas.

O relatório estima que ondas de calor marinhas causaram sozinhas US$ 6,6 bilhões em perdas para a pesca entre 1985 e 2022. Analisando por renda, os países de média-baixa renda são os mais afetados, perdendo 5% do seu PIB agrícola, um percentual superior ao de países de baixa renda (3%) e de alta renda (4%).

A revolução digital na gestão de riscos agrícolas

A segunda parte do relatório é dedicada às soluções digitais, apresentadas como uma mudança de paradigma na forma como o setor enfrenta os desastres. A tecnologia permite uma transição de uma resposta reativa para uma redução de risco proativa.

As soluções digitais permitem uma mudança de uma resposta reativa para uma redução de risco proativa e prevenção.

O relatório cita que para cada dólar investido em ações antecipatórias, as famílias rurais podem obter até sete dólares em benefícios. Diversas ferramentas já estão em operação e mostrando resultados concretos.

Casos de sucesso: do alerta precoce ao seguro paramétrico

Ferramentas de monitoramento e alerta precoce estão ajudando a salvar vidas e meios de subsistência. Na Somália, em 2023, sistemas de alerta de inundação permitiram a evacuação de 90% das populações em risco antes da chegada das cheias.

Na área de saúde animal, a ferramenta de apoio à decisão de alerta precoce para a febre do vale do rift (RVF-DST) integra dados em tempo real para prever surtos.

Desde 2018, a FAO emitiu 19 alertas de febre do vale do rift (RVF) na África.

No combate a pragas, o Sistema de Monitoramento e Alerta Precoce para a Lagarta-do-Cartucho (FAMEWS) já processou dados de mais de 60 países. Na área financeira, seguros paramétricos digitais estão revolucionando a proteção para pequenos agricultores.

A Pula havia segurado 9,1 milhões de agricultores, com um prêmio bruto de US$ 69,1 milhões, garantindo cobertura para aproximadamente 4,4 milhões de hectares de terra em 17 países.

O desafio da inclusão digital

Apesar do potencial, o relatório alerta para os obstáculos que precisam ser superados. O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatiza a necessidade de colocar os agricultores no centro do processo.

No entanto, a tecnologia sozinha não é a única resposta. Este relatório enfatiza que uma transformação bem-sucedida requer colocar agricultores e pescadores no centro – projetando soluções com eles, não para eles.

A exclusão digital é uma barreira persistente. A divisão digital permanece uma barreira persistente, com 2,6 bilhões de pessoas ainda offline globalmente.

O relatório conclui que a transformação digital só alcançará seu pleno potencial quando acompanhada de investimentos em capacidade humana, desenvolvimento institucional e políticas de apoio que garantam que os mais vulneráveis não sejam deixados para trás.

Confira o relatório completo:

fao-outlook-disasters-on-agriculture

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1 Comentário
  1. […] Relatório da FAO revela que desastres custaram US$ 3,26 trilhões à agricultura em três décadas […]

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