Índice da GS1 Brasil mostra que proteína, redução de componentes e ausência de ingredientes dominam os cadastros da indústria; resultado de janeiro a setembro é o maior da série
Os corredores dos supermercados devem ganhar mais opções de alimentos e bebidas com apelo de saudabilidade nos próximos meses. Entre janeiro e setembro de 2026, os registros de mercadorias com essas características cresceram 173% sobre o mesmo período de 2020, segundo a GS1 Brasil.
No mesmo intervalo, a participação de fabricantes ligados a esses registros avançou 157%. Os dois resultados são os maiores já observados na série analisada pela Associação Brasileira de Automação, o que indica que mais empresas, e não apenas mais produtos, entraram nesse movimento.
O dado vem do Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos. Ele acompanha, todos os meses, a renovação dos portfólios da indústria brasileira a partir do Cadastro Nacional de Produtos, alimentado pelos próprios donos das marcas.
O que o índice mede
O levantamento busca, nas descrições comerciais dos produtos cadastrados, termos ligados a três grupos de atributos. O primeiro reúne referências à proteína. O segundo, à redução ou ao baixo teor de componentes. O terceiro, à ausência de ingredientes como açúcar, lactose, glúten, conservantes, aditivos e aromatizantes.
Vale notar a metodologia: o índice mede o que a indústria declara na descrição do item, e não a composição nutricional de cada produto. Por isso, ele funciona como termômetro de posicionamento e de intenção de lançamento, mais do que como avaliação da qualidade nutricional.
Bebidas avançam mais rápido que alimentos
Em setembro de 2026, o índice geral registrou alta acumulada no ano de 19,3% em Bebidas e de 6,8% em Alimentos. Na comparação dos últimos 12 meses, os avanços foram de 19,2% e 8,4%, respectivamente.
Os números mostram que a diversificação de portfólio ocorre nos dois setores, mas em ritmos distintos. As bebidas lideram no acumulado do ano, enquanto os alimentos ganham fôlego quando se observa a janela de 12 meses.
Os termos que mais aparecem nos rótulos
No ranking dos registros de janeiro a setembro, os termos “naturais” e “proteico” ocupam as duas primeiras posições. Na sequência vêm “zero açúcar” e “protein”. Também figuram entre os destaques “baixo teor de carboidratos”, “zero lactose”, “diet/light” e “zero glúten”.
Em Alimentos, o ranking de setembro trouxe ainda palavras como “fit” e “zero”. Em Bebidas, apareceram “natural”, “gluten”, “carb”, “low” e “zero”. O conjunto combina promessas sobre composição nutricional, redução de componentes e ausência de ingredientes específicos.
Um movimento que ganhou ritmo em 2024
A série histórica mostra uma aceleração recente. Em 2025, na comparação com 2020, o número de mercadorias cadastradas com os atributos analisados subiu 85%, e a participação de fabricantes cresceu 87%.
Em 2026, considerando o acumulado até setembro e a mesma base de comparação, as variações saltaram para 173% em mercadorias e 157% em fabricantes. A GS1 Brasil aponta que o avanço ganhou ritmo a partir de 2024.
O que isso sinaliza para o varejo
Para compradores e executivos do setor, o índice antecipa o que pode chegar às gôndolas. Cadastros costumam anteceder o lançamento, e uma base maior de fabricantes sugere concorrência mais ampla dentro de cada atributo, de proteína a zero lactose.
Os resultados indicam possíveis movimentos de renovação e ampliação dos portfólios que abastecem o varejo. Com mais marcas disputando os mesmos termos, a diferenciação tende a depender de formulação, preço e clareza da comunicação ao consumidor.
