100 Mulheres Agroalimento FAO

Reconhecimento global celebra agricultoras, pesquisadoras e líderes comunitárias que fortalecem comunidades e abrem oportunidades para as próximas gerações

Uma mulher que começou plantando árvores em uma área ameaçada pela desertificação encerrou, nesta quinta-feira (15), a lista de homenageadas da FAO. A chinesa Yin Yuzhen foi anunciada como a 100ª integrante do grupo 100 Women Heroes in Agrifood Systems and Rural Development, em cerimônia na sede da organização, em Roma.

A iniciativa foi criada para marcar o Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026. A data também coincide com o Dia Internacional das Mulheres Rurais, celebrado em 15 de outubro. O objetivo é reconhecer o papel das mulheres do campo na agricultura, na segurança alimentar e na erradicação da pobreza rural.

O evento fez parte do Fórum Mundial da Alimentação 2026, que culmina no Dia Mundial da Alimentação, em 16 de outubro. As outras 99 homenageadas haviam sido reveladas nos dias que antecederam a cerimônia.

Duas brasileiras contempladas na lista mundial

Do Brasil, foram selecionadas duas mulheres entre as 100: Luena Pataxó e Joana Rodrigues Mousinho.

Joana Mousinho

Joana Rodrigues Mousinho é uma pescadora artesanal de Pernambuco, Brasil, e uma defensora reconhecida nacionalmente pelos direitos das mulheres no setor pesqueira. Pioneira em garantir o reconhecimento formal das contribuições das mulheres para a pesca e no avanço da liderança feminina na atividade, ela desempenhou um papel importante na promoção da igualdade de gênero e da inclusão social.

É uma forte defensora dos direitos territoriais e da conservação dos ecossistemas de manguezal, além de contribuir para a expansão de medidas de proteção social para as comunidades pesqueiras. Sua liderança tem ajudado a fortalecer a visibilidade, os direitos e os meios de subsistência das mulheres pescadoras em todo o Brasil.

Luena Pataxó

Luena Pataxó é uma líder indígena e pescadora artesanal da Bahia, Brasil, que atua como presidente de uma associação comunitária e coordenadora regional nos territórios Pataxó. Ela é uma defensora ferrenha da liderança feminina e trabalha para fortalecer a pesca sustentável, preservando o conhecimento indígena e o patrimônio cultural.

Por meio de gestão de projetos, engajamento comunitário e iniciativas de capacitação de jovens, ela promove o desenvolvimento local, a gestão ambiental e oportunidades econômicas para as comunidades indígenas. Seu trabalho demonstra o papel importante das mulheres indígenas no avanço da resiliência cultural, meios de subsistência sustentáveis e desenvolvimento rural inclusivo.

Uma avó, uma lição e um legado

Na abertura da cerimônia, o diretor-geral da FAO, QU Dongyu, prestou tributo às premiadas e falou da avó que o criou em uma pequena aldeia chinesa. Foi ela quem lhe ensinou a plantar e a cozinhar, além de valores como persistência e respeito pela terra. Ao refletir sobre o saber passado de geração em geração, ele afirmou:

“Tudo o que aprendi com ela, ela aprendeu com as gerações de mulheres que vieram antes. É assim que o conhecimento muda o mundo.”

Em seguida, o dirigente voltou o olhar para as homenageadas. Ele destacou o trabalho delas como agricultoras, empreendedoras, pesquisadoras, educadoras e líderes comunitárias, que protegem a biodiversidade, geram oportunidades e ajudam suas comunidades a resistir à fome, à pobreza e às mudanças climáticas. Ao encerrar a saudação, QU completou:

“Em vilas e cidades, montanhas e litorais, florestas e campos, vocês estão fazendo coisas extraordinárias.”

Da terra degradada a milhões de árvores

A centésima homenageada ganhou o reconhecimento por décadas de trabalho na restauração de terras degradadas no deserto de Mu Us, na China. Tudo começou com o plantio de árvores em uma região pressionada pelo avanço da desertificação.

Hoje, o esforço de Yin Yuzhen contribuiu para recuperar quase 5 mil hectares ao redor de sua casa. Mais de 8 milhões de árvores foram plantadas na área, o que apoia a agricultura, a renda e a vida das comunidades locais.

Como 609 indicações viraram 100 nomes

O processo de seleção buscou garantir ampla participação dos países-membros, equilíbrio geográfico e transparência. A FAO recebeu 609 indicações de 131 membros, após uma chamada enviada a toda a sua base de países. O número de nomes por país seguiu o tamanho da população.

Todas as candidaturas passaram primeiro por uma triagem, que verificou requisitos e cotas nacionais. As elegíveis foram avaliadas e classificadas pela alta direção da FAO. Depois, as finalistas enfrentaram duas novas rodadas de deliberação da liderança, para checar qualidade, equilíbrio e representatividade do conjunto. A lista final foi aprovada pelo Comitê de Liderança Sênior da organização.

O resultado é um grupo diverso em regiões, profissões e trajetórias. Há mulheres que produzem alimentos e protegem recursos naturais, ao lado de cientistas, empresárias e guardiãs de saberes tradicionais que sustentam comunidades rurais.

Você pode gostar de ler

Não perca nossas publicações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

©2026 FOOD FORUM NEWS

ENTRE EM CONTATO

Envie um e-mail e retornaremos muito em breve!

Enviando

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?