GAFFFF percepcao agro

Painel com Luiz Felipe Nastari, da DATAGRO, e Raquel Messias, da A.GRO, discutiu como a comunicação e os eventos podem revelar um setor diverso, moderno e inovador

Traduzir para a sociedade a diversidade, as transformações e a realidade do agronegócio ainda é um desafio. É o que mostra uma pesquisa apresentada nesta quinta-feira (1º), no primeiro dia do Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, no Nubank Parque, em São Paulo.

O levantamento foi tema do painel “A.GRO Pulse: como o agro quer ser visto pelos brasileiros”. A conversa reuniu Raquel Messias, estrategista de marca da A.GRO, e Luiz Felipe Nastari, diretor da DATAGRO.

O estudo avaliou a percepção dos consumidores sobre 109 marcas ligadas ao agro. Na visão desse público, nenhuma delas realmente entende o setor, um resultado que expõe a distância entre quem produz e quem comunica.

Publicidade ainda não retrata quem trabalha no campo

Os dados foram revelados por Raquel Messias. Segundo a estrategista, o sentimento de não representatividade atinge diretamente quem atua no agronegócio e se reflete na forma como o setor avalia as campanhas das empresas. Ao comentar o resultado, ela afirmou:

“As pessoas que atuam no setor não se sentem representadas pela publicidade dessas empresas e avaliam que não são vistos ou compreendidos pela sociedade em geral.”

A falta de reconhecimento também aparece em outro indicador. De acordo com Raquel, 65% dos produtores rurais acreditam não ser admirados pelo público em geral, embora a realidade indique o contrário.

Para a estrategista, o problema está na leitura superficial do setor, que ignora sua diversidade. Ao explicar o peso dos clichês na percepção do público, ela detalhou:

“As pessoas sabem que o agronegócio representa 25% do PIB e é moderno, mas os estereótipos ainda são muito fortes. O agro é frequentemente associado a símbolos identitários como o chapéu, a bota e a música sertaneja. Embora exista sim o consumo desses elementos, essa visão é superficial. E o mercado tende a ver o agro como um bloco único e estático. O agro é muito mais diverso do que esses clichês, e as marcas precisam enxergar isso.”

Produtor busca tecnologia, mas o imaginário coletivo não acompanha

A pesquisa também mediu a adesão do produtor à inovação, outro tema em que percepção e comportamento real divergem. Segundo Raquel Messias, o assunto ainda tem pouca visibilidade fora do setor. Ela apresentou os números do levantamento:

“Essa também é uma questão que tem pouca visibilidade, mas 89% dos entrevistados afirmaram ter interesse em novas tecnologias e 53% gostam de ser os primeiros a adotar as novidades. Apenas 9% preferem continuar fazendo as coisas como sempre fizeram. O que vemos é que, no imaginário coletivo, o agro ainda é visto como anos atrás.”

Luiz Felipe Nastari, diretor da DATAGRO, comentou os resultados e reforçou que o setor é mais moderno do que se imagina. Na avaliação dele, quebrar os estereótipos exige ações que aproximem o campo da população urbana. Nastari defendeu:

“O agro é muito mais moderno do que muita gente pensa. É um setor que investe milhões de dólares em uma simples semente. Precisamos quebrar esses estereótipos, e o GAFFFF, ao estimular a conexão entre o campo e a população urbana, é uma excelente estratégia para isso.”

Eventos aproximam o campo da cidade

Sobre o alcance do festival, Nastari recorreu a números da edição anterior, também realizada em São Paulo. Para o diretor da DATAGRO, o resultado indica que o evento cumpre o papel de aproximar públicos diferentes. Ele explicou:

“Na edição do ano passado, das 30 mil pessoas que visitaram o evento em São Paulo, 30% eram produtores e 25% eram curiosos. Isso significa que estamos tendo êxito em impactar a cidade positivamente e contribuir para mostrar o agro como ele é hoje, em todo o seu potencial e com diferentes perfis de produtores e consumidores.”

O recado do painel é direto: marcas e comunicadores precisam enxergar o agro como um setor plural, em constante transformação, e ajustar a linguagem para dialogar com ele.

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