Agro Brasil Eventos ABAG Andav

Tive a oportunidade de participar recentemente de três eventos que considero relevantes, todos centrados em temas de agro: World Agri-Tech Summit São Paulo, congressos ABAG e Andav. Diferentes temas, propostas, expositores e público em cada um. Participei na expectativa de poder entender o momento do agro nacional, em linha do que apuramos e realizamos de curadoria de conteúdo para o Food Forum News.

Alguns fatos chamam muito a atenção há meses e merecem uma reflexão. Recebemos diariamente na redação dezenas e-mails e mensagens de WhatsApp com sugestões de pautas editoriais para avaliarmos a relevância para nosso público leitor. No paralelo, mantenho o acompanhamento de muitas mídias do agro e sobre temas de alimentação, para não perder o contexto geral do mercado. O foco das empresas do agro tem sido somente de temas pontuais, que acabam sendo publicados nas mídias verticais de agro. Raramente abordam temas de interesse coletivo. 

Sustentabilidade, inovações em biosinsumos como opções ao uso de defensivos agrícolas, ações complementares sobre temas sobre alimentação saudável e sustentável, de interesse público e social, eram compartilhados nos press releases enviados com frequência como sugestões de pautas. Onde foram parar?

Eventualmente hoje podem ser achados nos portais web das empresas. Em outras palavras, as empresas divulgam e falam de si mesmas. Eis o início da ameaça à reputação, tão necessária para as empresas – marcas e atividades. 

As grandes empresas multinacionais, líderes de mercado tais como BASF, Bayer, Monsanto, Syngenta, entre outras, praticamente zeraram suas divulgações amplas sobre investimentos e iniciativas de interesse geral. As mesmas empresas remanejaram seus investimentos em patrocínios e participação nos eventos do setor.

Já que estão restritivos com notícias, como atuaram nesses eventos recentes?

O que mais escutei de muitos executivos com quem conversei é que o tempo está curto para atender a tantos eventos. O mesmo se aplica aos investimentos em patrocínios: as restrições orçamentárias já geram movimentos importantes no mercado. As empresas estão muito seletivas e econômicas nos investimentos em eventos.

Quem se deu muito mal neste ano, infelizmente, foi o World Agri-Tech Summit São Paulo. Este já foi uma referência em antecipar as novidades no setor, agregando grandes empresas e muitos C-level apresentando abertamente suas estratégias, com networking de altíssima qualidade. Há três anos quase não dava para andar pelo corredor sem encontrar um executivo líder de mercado, à disposição para uma conversa. 

Conversei com o time da organização há anos sobre o imenso poder que tinham de poder alinhar os temas mundiais sobre agro e alimentação, coordenando com os outros eventos que realizam pelo mundo. Nos dois últimos dois anos, veio perdendo totalmente a relevância por aqui. Neste ano, coincidiu com a Copa do Mundo, ficou com salões vazios de participantes congressistas, com raros e pouco expressivos patrocinadores, palestrantes e conteúdos menos relevantes. Difícil crer que se sustentarão e serão viáveis na próxima edição em 2027.

A recuperação de público, patrocinadores e audiência ocorreu no Congresso ABAG, no início de agosto. Evento bem “amarrado”, colocando nas mãos do governo federal um estudo sobre a importância do país ter uma agenda estratégica que dê suporte às atividades do agro nacional. Profissionais renomados e empresas representativas do setor presentes, compartilhando em muitas conversas as expectativas e dificuldades. Certamente, estabeleceu um vínculo importante para o setor, deixando claras as expectativas com atitudes que ajudam nos planos estratégicos, incluindo as questões com sustentabilidade, viabilidade econômico-financeira e regulatórias.

Congresso ABAG - CBA 2026

Já o terceiro evento, Congresso Andav, tendo apenas dois patrocinadores principais, BASF e EcoAgro, se firmou como ponto central de conversa do agro, reunindo público expressivo de expositores, congressistas e visitantes. Vários painéis demonstraram as novidades em insumos agrícolas, discutindo inovações e temas sobre sustentabilidade econômico-financeira e perspectivas para o setor. 

Temas centrais sempre presentes

Os produtores estão acessando e captando os recursos do Plano Safra, o que é um bom indicador da continuidade do plantio e realização das safras. O Brasil, como o maior produtor mundial de alimentos no mundo, mantém seu status.

Por outro lado, a crise de inadimplência (8,8%), o aumento de recuperações judiciais e a dificuldade de pagamento apesar da produção são preocupações centrais. A baixa penetração do seguro (2,3%) e os riscos do El Niño se mostram como desafios prementes para o produtor e o mercado.

Entre tantas incertezas regulatórias no país obtidas em conversas com executivos das grandes empresas, a esperança é que os investimentos tragam efetivos resultados para as atividades para reanimar o canal de comunicação com a sociedade. Principalmente na realização de ações que necessitam planejamento estratégico de longo prazo, com previsibilidade, integração agro-indústria e biocompetitividade, com a adoção de tecnologias (incluindo biológicos e seguro) para mitigar riscos.

As políticas de Estado (não de governo) e a adoção de tecnologias (incluindo biológicos e seguro) para mitigar riscos são fundamentais no momento.

Continuarei a acompanhar o desenrolar das atividades neste segundo semestre do ano, aguardando a boa animação de mercado que percebi até o ano passado.

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